Governo de Rondônia
Quarta, 16 de janeiro de 2019

Controle de Malária

Governo do Estado de Rondônia

PROGRAMA ESTADUAL DE CONTROLE DA MALÁRIA –

              PECM/AGEVISA/RO

MALÁRIA – CID10: B50 A B54

Doença infecciosa febril aguda, causada por parasita unicelular, caracterizada por febre alta acompanhada de calafrios, suores e cefaléia, que ocorrem em padrões cíclicos, a depender da espécie do parasita infectante.

TRANSMISSÃO

A malária é provocada por protozoários parasitas que são transmitidos para o ser humano através da picada da fêmea do mosquito Anopheles. O mosquito pica uma pessoa contaminada, levando os protozoários para outra pessoa.

Vetores – Insetos da ordem dos dípteros, família Culicidae, gênero Anopheles.

Agente etiológico – No Brasil, três espécies de Plasmodium causam malária: P. vivax, P. falciparum e P. malariae.

Reservatório – O homem é o único reservatório importante. Algumas espécies de macacos podem albergar o parasita, porém a transmissão natural é rara.

OS SINTOMAS INICIAIS DA MALÁRIA SÃO:

Após ter adquirido a doença, a pessoa começa apresentar alguns sintomas. O principal deles é a febre. O doente começa sentir muito frio, seguido de fases de extremo calor. Estas febres são constantes, porém a periodicidade é irregular. As dores de cabeça, náuseas, hemorragias e fadiga também são sintomas.

O período de aparecimento dos primeiros sintomas, assim como o ritmo de sequência dos episódios de malária, dependem do gênero do parasita. Mas, de forma geral, os sintomas iniciam entre 10 a 35 dias após o mosquito haver injetado o parasita no indivíduo.

Os episódios podem iniciar de repente com calafrios e tremores, acompanhados por sudorese e febre intermitente. Esses sintomas seguem sempre um padrão semelhante, podendo ser acompanhados de um período de cefaléia ou de mal-estar, calafrios com tremores e febre que dura de 1 a 8 horas. Os ataques podem ocorrer a cada 48 horas e durar entre 20 a 36 horas, ou recorrer a cada 72 horas.

Os padrões da doença variam de acordo com o tipo de malária e as complicações podem ser fatais.

COMPLICAÇÕES DA MALÁRIA

A doença pode provocar problemas hepáticos, respiratórios, cardiovasculares, cerebrais e gástricos. Após apresentar os sintomas, a pessoa deve ser conduzida rapidamente a um médico ou hospital para começar o tratamento. Este é feito a base de remédios e de uma substância chamada quinina.

A febre de urina negra é uma complicação da malária que ocorre exclusivamente em indivíduos com malária crônica, que utilizaram a quinina no tratamento.

A febre hemoglobinúrica ou febre de urina negra é uma complicação rara da malária, e é consequência da ruptura de grandes quantidades de células vermelhas do sangue que libera o pigmento vermelho (hemoglobina) na corrente sanguínea que é excretada na urina, tornando-a escura.

Outra complicação mais comum é a malária cerebral que pode ser fatal e os sintomas dessa complicação são, febre de no mínimo 40°C, dor de cabeça intensa, sonolência, delírio e confusão mental.

Quando a malária não é tratada, é comum a ocorrência de uma icterícia discreta e aumento do fígado e do baço.

TRATAMENTO DA MALÁRIA

O tratamento da malária é feito com a administração de  medicamentos antimaláricos, como a Cloroquina por 3 dias e a Primaquina por 7 ou 14 dias. Estes medicamentos são de dose única diária e devem ser ingeridos junto de uma refeição, para evitar dor de estômago.

A dose do medicamento varia conforme a idade e o peso do indivíduo, e os casos mais graves necessitam de internação  hospitalar.

CURIOSIDADE

A forma de transmissão da malária foi descoberta em 1898 pelo pesquisador Ronald Ross.No dia 25 de abril é o Dia Mundial de Combate à Malária.

TABELA 1- ESQUEMA RECOMENDADO PARA TRATAMENTO DAS INFECÇÕES POR PLASMODIUM VIVAX COM CLOROQUINA EM 3 DIAS E PRIMAQUINA EM 7 DIAS.  

Grupos etários

Drogas e doses

1º dia

2º e 3º dias

4º ao 7º dias

Cloroquina (comp)

Primaquina (comp.)
Adulto Infantil

Cloroquina (comp.)

Primaquina (comp).
Adulto Infantil

Primaquina (comp). Adulto Infantil

Menor de 6 meses

1/4

1/4

6 a 11 meses

1/2

1

1/2

1

1

1 a 2 anos

1

1

1

1

1

3 a 6 anos

1

1

1

1

1

7 a 11 anos

2

1

1

1 e 1/2

1

1

1

1

12 a 14 anos

3

1 e 1/2

2

1 e 1/2

1 e 1/2

15 anos ou mais

4

1 e 1/2

3

2

2

*Primaquina: comprimidos para adultos com 15 mg de base e para crianças com 5 mg de base. A cloroquina e a primaquina deverão ser ingeridas preferencialmente nas refeições. Não administrar primaquina para gestantes e crianças de até 6 meses de idade. Se surgir icterícia, suspender a primaquina.         

TABELA 2 – ESQUEMA RECOMENDADO PARA TRATAMENTO DAS INFECÇÕES POR PLASMODIUM FALCIPARUM COM QUININA EM 3 DIAS + DOXICLINA EM 5 DIAS + PRIMAQUINA NO 6º DIA. 

Grupos etários

Drogas e doses 

1º, 2º e 3º dias

4º e 5º dias

6º dias

Quinina
(comp.)

Doxiciclina
(comp.)

Doxiciclina
(comp.)

Primaquina
(comp.)

8 a 11 anos

1 e 1/2

1

1

1

12 a 14 anos

2 e 1/2

1 e 1/2

1 e 1/2

2

15 anos ou mais

4

2

2

3

*A dose diária de quinina e da doxicilina devem ser divididas em duas tomadas, de 12 em 12 horas. A doxicilina e a primaquina não devem ser dadas a gestantes.Para gestantes e menores de 8 anos, consultar as tabelas com esquemas alternativos, contidas no Guia de Vigilância epidemiológica.

TABELA 3 – ESQUEMA RECOMENDADO PARA TRATAMENTO DAS INFECÇÕES MISTAS POR PLASMODIUM VIVAX + PLASMODIUM FALCIPARUM COM ME FLOQUINA EM DOSE ÚNICA E PRIMAQUINA EM 7 DIAS. 

Grupos
etários

Drogas e doses

1º dia

2º ao 7º dias

Mefloquina
(comp.)

Primaquina
(comp).
Adulto Infantil

Primaquina
(comp). Adulto

Primaquina
(comp).
Infantil

Menor de 6 meses

6 a 11 meses

1/4

1/4

1

1 a 2 anos

1/2

1/4

1

3 a 4 anos

1

1/2

2

5 a 6 anos

1 e 1/4

1/2

2

7 a 8 anos

1 e 1/2

1

1

1

9 a 10 anos

2

1

1

1

11 a 12 anos

2 e 1/2

2

1 e 1/2

13 a 14 anos

3

2

1 e 1/2

15 ou mais

4

2

*Calcular 15 a 20 mg/kg de peso. A dose diária de mefloquina pode ser dividida em duas tomadas com intervalo de ate 12 horas. Não usar primaquina em gestantes e menores de 6 meses. Consultar esquemas alternativos.

 

TABELA 4 – ESQUEMA RECOMENDADO PARA TRATAMENTO DAS INFECÇÕES POR PLASMODIUM MALARIAE COM CLOROQUINA EM 3 DIAS. 

Grupos etários

Drogas e doses

Cloroquina (comp.)

1ºdia

2º dia

3º dia

Menor de 6 meses

1/4

1/4

1/4

6 a 11 meses

1/2

1/2

1/2

1 a 2 anos

1

1/2

1

3 a 6 anos

1

1

1

7 a 11 anos

2

1 e 1/2

1 e 1/2

12 a 14 anos

3

2

2

15 ou mais

4

3

3

*Diferente do P. vivax, não se usa primaquina para o P. malariae.

A doxicilina e a primaquina não devem ser dadas a gestantes. Para gestantes e menores de 8 anos, consultar as tabelas com esquemas alternativos, contidas no Guia de Vigilância epidemiológica.

MEDIDAS DE CONTROLE PARA MALÁRIA

As medidas de controle são baseadas no diagnóstico imediato e tratamento oportuno dos casos, aplicação de medidas anti-vetoriais seletivas, pronta detecção de epidemias para contê-las e reavaliação periódica da situação epidemiológica de malária As atividades antimaláricas devem estar adaptadas às condições epidemiológicas locais e seus objetivos devem ser tecnicamente viáveis e financeiramente sustentáveis.

Antes de selecioná-los, é preciso avaliar a incidência e a prevalência da doença, a mortalidade e os grupos de risco locais. Sempre que possível, devem ser coletadas informações sobre os hábitos e reprodução das espécies prevalentes, sua densidade e infectividade, as condições ecológicas e sazonais, e a resposta do vetor e do parasito aos inseticidas e medicamentos, respectivamente. As ações de controle da malária consistem no controle vetorial, através do controle de larvas e de mosquitos adultos. O controle larvário pode ser realizado através do ordenamento do meio (drenagem, aterro, controle de vegetação), larvicidas químicos ou controle biológico.

No controle dos vetores adultos, o programa de malária utiliza o controle químico (aplicação intradomiciliar de inseticida de efeito residual e pulverização espacial de inseticida). Atividades de saneamento ambiental poderão ser empregadas caso haja justificativa e indicação precisa, visando a eliminação de criadouros de anofelinos (drenagem, retificação de cursos d’água, pequenos aterros). Atividades de educação em saúde também são de importância para alcance do controle da endemia.


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