Governo de Rondônia
Sexta, 26 de fevereiro de 2021

DIA DO ÍNDIO

Governo de Rondônia reafirma compromisso com políticas públicas para indígenas

19 de abril de 2016 | Governo do Estado de Rondônia

II Semináro de Desenvolvimento Sustentável em Terras Indígenas_19.04.16_Foto_Daiane Mendonça (5)

Seminário é realizado em Porto Velho

Em pé, de olhos fechados, representantes de 54 etnias indígenas de Rondônia acataram o apelo do coordenador estadual Elinton Gavião, para que lembrassem os antepassados. Um minuto depois, às 9h50, ele discursou: “Se antes, nossos povos recebiam mais recursos, eram reconhecidos, hoje nos resta praticar nossa cultura e nossa religião”. Assim foi aberto, nesta terça-feira (19), no auditório do Rondon Palace Hotel, o 2º Seminário de Desenvolvimento Sustentável em Terras Indígenas.

O secretário estadual adjunto do desenvolvimento ambiental, Francisco de Sales, reiterou o compromisso do governador Confúcio Moura com minorias étnicas no estado. “Eu sei que essas políticas públicas requerem determinado tempo de execução, e isso atropela um pouco a expectativa de vocês, mas reafirmo o compromisso do governo com gestões ambientais, e elas serão cumpridas à risca, podem confiar”, disse.

Os participantes do seminário, que irá até quarta-feira (20), debatem o Plano de Desenvolvimento Sustentável e Direito Indígena, com o apoio do Ministério Público Federal, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e do Desenvolvimento Ambiental e da Associação Etnoambiental Kanindé.

O procurador da República  Reginaldo Trindade lamentou que, 12 anos atrás, a invasão da terra Uru-eu-au-au [por madeireiros e agricultores] “era grave e exigia solução urgente, e assim continua”.

Ele estimulou líderes indígenas a terem determinação e lutarem para superar dificuldades. “Sabemos que o preconceito da sociedade contra minorias ainda é grande, mas vocês não devem esmorecer, por isso, reivindiquem permanentemente”, disse.

Segundo Trindade, “a sensibilidade e a boa vontade do governo e da Assembleia Legislativa de Rondônia devem ser bem aproveitadas”. Lembrou que 17 faculdades no estado concederam bolsas para minorias étnicas, entretanto, ponderou: “Elas ainda não foram totalmente preenchidas, e não adianta só a bolsa, é preciso cobrar mais e profissionalmente, para que sejam obtidas ações concretas e objetivas em benefício de todos”.

Para o procurador, a aprovação de lei estadual de amparo aos povos indígenas “pode não resolver plenamente os problemas graves que tendem a existir [invasões, desmatamento, roubo de madeira, atentados culturais, entre outros], mas é o pontapé inicial”.

O vereador Roberto Oro Win, de Guajará-Mirim [a 362 quilômetros de Porto Velho, na fronteira Brasil-Bolívia] pediu permissão para entoar dois cantos na língua de seu povo: um deles fala de jovens guerreiros que enfrentam a onça, outro é a “música do papagaio”.

Um representante Amondawa, da região de Jaru, também entoou um canto falando do “povo que não desiste diante da dura batalha”.

“O 19 de abril é o dia em que parentes pedem melhorias para filhos e netos, e eu quero aqui dizer que em nossa região acontece uma grande festa em três lugares: ao longo dos rios Guaporé e Mamoré, na Terra Pakaa-nova e na linha terrestre”.

O etnozoneamento inclui debates a respeito de terras invadidas e das dificuldades e facilidades na produção de castanha.

Levantamento feito pela Kanindé aponta algum avanço obtido pela organização: desde o início dos anos 2000, dez terras indígenas já conseguiram concluí-lo em aproximadamente 10 milhões de hectares nas Amazônias Ocidental e Oriental brasileiras, nos estados do Amazonas (sudoeste), Rondônia, Mato Grosso e Pará. Outras organizações apoiam indígenas nesse mesmo objetivo.

II Semináro de Desenvolvimento Sustentável em Terras Indígenas_19.04.16_Foto_Daiane Mendonça (19)

Secretário-adjunto da Sedam salientou a preocupação do governo com os indígenas

 

PLANEJAMENTO

Parceira da Sedam, a Kanindé apóia os territórios Uru-eu-au-au, Gavião [Lourdes], Suruí [27 aldeias no Parque Indígena do Aripuanã], Zoró [noroeste de Mato Grosso, limítrofe com Rondônia], Nhamunda Mapuera e Trombertas Mapuera [ambas no Pará], 9 de janeiro [em Humaitá-AM], Parintintin [Ipixuna] e Diahuí.

“O governo faz a terceira aproximação do etnozoneamento, mas é preciso que ele aconteça com a participação dos povos indígenas e da sociedade”, cobrou a coordenadora da organização, Ivaneide Bandeira Cardozo.

Ela acredita que só o “planejamento bem feito” produzirá resultados para as futuras gerações indígenas. “Por enquanto, ele não existe, à exceção das terras que têm plano de gestão, e estas o governo poderia incluir em suas propostas e no orçamento estadual”, apontou.

Segundo Ivaneide Cardozo, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dispõe de recursos para apoiar a organização dos povos indígenas. “Com isso, já conseguimos planos de gestão para os zorós, para as terras indígenas do Igarapé Lourdes [Arara e Gavião], Rio Guaporé e Rio Negro Ocaia [ambas na região fronteiriça à Bolívia]”, informou.

A coordenadora da Kanindé lembrou que 95% de Guajará-Mirim são constituídos por áreas protegidas, por isso, aquela região “se ressente de programação que possa valorizar seu potencial”.

Veja fotos do evento

Segundo ela, a gestão ambiental nesse município possibilitaria até mesmo a melhor exploração turística. “Muita gente quer conhecer a cultura indígena, o artesanato e as belezas cênicas regionais, mas falta divulgação e organização desse potencial”, reivindicou.

A líder Walda Ajuru queixou-se da invasão das terras de seu povo, hoje reduzido a cerca de 140 pessoas em Porto Rolim. Os demais foram transferidos no século passado, pelo extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI), para a Serra Ricardo Franco.

Os ajuru vivem a 415 quilômetros de Porto Velho, acumulam sucessivos roubos de madeira de suas terras, foram vítimas da malária e sempre dependem do socorro médico da Fundação Nacional de Saúde.

Situação semelhante vivem os povos Miquelenos e Puruborá. Alguns se casaram com parentes Tuparis, Kanoés e Makurapes, no que totalizam atualmente aproximadamente 400 indivíduos, entre o Brasil e a Bolívia.

Saiba mais:

Grupos de trabalho atuam para ampliar a produção e melhorar preço da castanha comercializada pelos povos indígenas e extrativistas

Governo de Rondônia apoia indígenas em reuniões para tratar da exploração ilegal de madeira e diamantes

Povo Guarani-kaiowá recebe apoio durante Conferência Estadual dos Povos Indígenas de Rondônia


Leia Mais
Todas as Notícias

Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Daiane Mendonça
Secom - Governo de Rondônia

Categorias
Agricultura, Agropecuária, Assistência Social, Capacitação, Cultura, Distritos, Ecologia, Educação, Empresas, Governo, Inclusão Social, Infraestrutura, Lazer, Legislação, Meio Ambiente, Piscicultura, Polícia, Previdência, Rondônia, Saúde, Segurança, Serviço, Servidores, Sociedade, Solidariedade, Terceiro Setor, Transporte, Turismo


Compartilhe