Governo de Rondônia
Quinta, 22 de agosto de 2019

DESTEMIDOS PIONEIROS

Historiador Marco Teixeira analisa os 34 anos de criação do estado de Rondônia

22 de dezembro de 2015 | Governo do Estado de Rondônia

Porto Velho é o maior e mais populoso município de Rondônia

Porto Velho é o maior e mais populoso município de Rondônia

Filhos e netos de migrantes nascidos em Rondônia nos anos 1970 conheceram o extinto território federal, sempre dependente dos recursos financeiros e dos humores das autoridades de Brasília. Só agora, eles começam a saborear os frutos deste estado do norte brasileiro, cuja criação na  terça-feira (22) e a instalação, em 4 de janeiro próximo, completam 34 anos.

Rondônia passou a ser o 23º estado brasileiro em 22 de dezembro de 1981 e no ano seguinte o recém-criado Tribunal Regional Eleitoral fazia as primeiras eleições para Câmara dos Deputados e Senado Federal. O Partido Democrático Social (PDS) conquistava as três vagas senadores [Claudionor Couto Roriz, Odacir Soares Rodrigues e Reinaldo Galvão Modesto], e a maioria dos deputados federais. A Assembleia Constituinte foi instalada em 31 de janeiro de 1983.

No cômputo geral, os resultados são satisfatórios para o estado. Agroindústrias familiares passam de quinhentas. A soja obteve safra superior a 470,4 mil toneladas, das quais, 16% destinados a óleo vegetal. O plantel bovino e bubalino alcança 12,2 milhões de cabeças. Maior produtor de tambaqui em cativeiro do País, o estado constatou crescimento superior a 300% nesse setor, com perspectiva de produzir até 80 mil toneladas/ano.

Por ironia, está às voltas com um enorme desafio: aqueles 30 búfalos vindos da Ilha do Marajó nos anos 1960 multiplicaram-se para aproximadamente cinco mil, perderam a mansidão, não foram distribuídos para tração animal, romperam as cercas da Fazenda Pau d’Óleo [herdada do ex-território federal] e agora ninguém os quer por perto. O governo de Rondônia tem um projeto para controle desses animais.

Em 1984 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatava que a taxa demográfica de 15,80%, superava as médias de outros estados, especialmente os da região centro-oeste.

Definitivamente, a rodovia BR-29 [depois BR-364] “empurrou” a migração e interiorizou Rondônia. Atualmente, o estado tem 1,7 milhão de habitantes, com taxa de concentração demográfica de 6,58 habitantes por quilômetro quadrado.

DO EIXO DOS RIOS À FLORESTA

“A população saiu do eixo dos rios para conhecer áreas de floresta e terras firmes, predispondo o espaço a um projeto de colonização agropastoril”, analisa o professor de História na Universidade Federal de Rondônia, Marco Antônio Teixeira.

Demograficamente, Rondônia perde apenas para o Amazonas e o Pará. Porto Velho (503 mil habitantes) é a cidade mais populosa, seguida de Ji-Partaná (130 mil) e Ariquemes (104 mil).

O Produto Interno Bruto (PIB) per capita [por cabeça] estadual alcançava R$ 18,4 mil em 2012, segundo o IBGE. Esse valor lhe assegurou a 12ª posição no ranking nacional e o 1º da região norte.

Segundo a Secretaria Estadual de Finanças, em dez anos, a receita estadual cresceu 309%, e em 2014 totalizou R$ 6,9 bilhões.

DOIS PRINCÍPIOS

“Com a crise da borracha houve um esmaecimento do ímpeto migratório, que foi retomado nos anos 1950, com os achados da mineração de cassiterita [minério de estanho], diamantes e ouro”, lembra.

A mineração exerceu o domínio territorial e também trouxe migrantes, mas causou convulsão social em 1970, quando o governo federal proibiu a lavra manual de cassiterita, permitindo a grupos multinacionais e mecanização das lavras.

Professor Marco Teixeira, da Unir

Professor Marco Teixeira, da Unir

A notável Marcha para o Oeste estendeu-se aos estados do Acre, Mato Grosso e Rondônia, entretanto, a dificuldade de acessos impediu-a de avançar para o Estado do Amazonas. “O primeiro mapa de Rondônia incluía Lábrea, depois devolvida àquele estado”, assinala o professor.

Teixeira alerta para as “tendências do momento”: com a acentuada migração agropastoril que tem como subproduto a indústria madeireira, a distribuição de terras e os cuidados com a preservação de reservas florestais nativas devem ser bem delineados.

“Nunca se destruiu um conjunto florestal em tão pouco”, lamenta.

Teixeira lembra o financiamento de US$ 300 milhões pelo Banco Mundial nos anos 1980, via Programa de Desenvolvimento Integrado do Noroeste Brasileiro (Polonoroeste) possibilitou a abertura de núcleos urbanos de apoio rural. Dos 32 núcleos, quase a metade, inevitavelmente, se transformou em cidades ao redor das quais o próprio Incra garantia lotes a quem desmatasse 50% da floresta.

“Hoje, nosso mapa florestal é exatamente o mapa de nossas reservas”, lamenta.

A respeito dos conflitos agrários envolvendo antigos posseiros, grileiros [antigos e novos], camponeses e latifundiários, o historiador aconselha: “É preciso conter o desmatamento e a ganância por tanta terra; há terras disponíveis para a reforma agrária, só precisamos de políticas públicas efetivas que possam viabilizá-la”.

Para o professor, o Incra atualmente tem o papel apenas regulamentador. “A reforma agrária anterior foi feita à revelia das populações tradicionais residentes, e isso também motivou disputas que começaram a ocorrer bem antes de Corumbiara, que é a face mais visível desse conflito da fase mais recente da colonização”.

“Com a nacionalização da Madeira-Mamoré, a mão de obra era fixa, permanente, não havia desemprego, nem êxodo rural”, assinala.

Em 1987, Rondônia teve um litígio de terras com o Estado do Acre, na Ponta do Abunã, região de terras férteis, rica em pedras e madeira. O advogado e ex-deputado federal [com três mandatos] Jerônimo Garcia de Santana governava o estado e ameaçou acionar tropas da Polícia Militar para desalojar 70 soldados do Acre instalados naquela região.

No início do ano seguinte, o Exército Brasileiro enviou tropas ao Abunã e assim, o Governo do Acre acatava um parecer do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dando ganho de causa a Rondônia. Os desentendimentos prosseguiam até 1990.

CAMINHO DA EXPORTAÇÃO

Brevemente, cargas fluviais e marítimas que demoravam até três meses para chegar aos portos russos e europeus viajarão no máximo 25 dias. A Federação das Indústrias do Estado de Rondônia e a Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri) comemoram o futuro novo ciclo exportador com barcaças da empresa MSC [Mediterranean Shipping Company], que abriram nova rota entre Rondônia, Amazonas e o porto da Cidade do Panamá, onde as cargas são distribuídas.

Coincidentemente, em maio deste ano, durante a feira Rondônia Rural Show, o reitor da Universidade Marítima Internacional do Panamá e diretor da Seven Importação e Exportação, Roberto Pineda,  informou que empresários da construção civil desse pequeno país da América Central pretendem adquirir pedras em Rondônia, a fim de suprir os canteiros de obras avaliadas em US$ 165 milhões, incluindo a do novo aeroporto internacional.

O governo estadual estima safra de 4 milhões de sacas de café, até 2017. O porto organizado movimenta dez balsas por dia, e a Hidrovia do Madeira, de Porto Velho até a foz desse rio, na confluência com o rio Amazonas, escoa soja, fertilizantes, cimento, frutas, eletroeletrônicos, derivados de petróleo, veículos, produtos frigorificados, seixo, bebidas e outras cargas.

Há 85 anos, órgãos semelhantes ao atual Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ainda não funcionavam no País. As colônias agrícolas do Iata, Jacy-Paraná, Mutumparaná, Nova Viçosa e Poço Doce, abasteciam Guajará-Mirim e Porto Velho.

Paralelamente ao extrativismo vegetal, a proteína bovina chegou pela ferrovia, procedente das fazendas jesuíticas na Amazônia Boliviana. “Embora, anteriormente, fazendas de gado em Casalvasco [Vale do Guaporé] alcançassem um plantel de 25 mil cabeças e já abastecessem a região, isso teve consequência duradoura”, explica Teixeira.

Em 2014, Rondônia já era o 5º maior exportador de carne do Brasil, e o seu rebanho bovino de corte, o 7º. Segundo a Seagri, em Rondônia, 87,8 mil propriedades criavam bovino no ano passado em 79,67% de propriedades com áreas de até cem hectares; 65,55% delas tinham rebanhos até cem cabeças; e 75% eram formadas por agricultores familiares.

A CAPITAL TRANSFORMADA

Soldados da borracha chegaram entre 1943 e 1945, dando origem ao Bairro Arigolândia, em Porto Velho. Prédios do Porto Velho Hotel, Maternidade Darcy Vargas e do Relógio simbolizavam a cidade no período de 1940 a 1950.

A Catedral do Sagrado Coração de Jesus, construída em 1928, foi concluída somente nos anos 1970. Ao lado dela já estava edificado o Colégio do Bom Bosco e, bem próximo à Avenida Sete de Setembro, o Hospital São José [que substituíra o Hospital da Candelária] e o Instituto Maria Auxiliadora. Em 1983 foi inaugurado o Hospital de Base.

O Bairro Caiari, uma vila operária e funcional nascida com o apadrinhamento do ex-presidente Getulio Vargas, hoje está desfigurado. A cidade caminha rumo à população de meio milhão de habitantes.

O Bairro Olaria abastecia a cidade com telhas e tijolos de boa qualidade. Atualmente está cheio de prédios modernos, entre os quais, o do Ministério Público Estadual.

Mocambo e Triângulo, os mais periféricos, entraram em decadência desde a retirada de famílias barbadianas que trabalharam na Madeira-Mamoré. Surgia a Vila Ferroviária.

Em 1976, Porto Velho “parava” na Avenida Jorge Teixeira [então denominada Kennedy]. Hoje, bairros das zonas leste e sul crescem a cada dia. O conjunto Residencial Cristal da Calama [Programas Morada Nova-Minha Casa Minha Vida], por exemplo, dará origem a um bairro com 12 mil pessoas.

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Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Daiane Mendonça e Maicon Lemes
Secom - Governo de Rondônia

Categorias
Agropecuária, Água, Assistência Social, Brasil, Comunicação Interna, Cultura, Educação, Empresas, Energia Elétrica, Governo, Habitação, Inclusão Social, Indústria, Informativo, Infraestrutura, Interno, Legislação, Lei da Informação, Meio Ambiente, Municípios, Piscicultura, Previdência, Rondônia, Serviço, Servidores, Sociedade, Solidariedade, Tecnologia, Terceiro Setor, Trânsito, Transporte, Turismo


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