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Quinta, 16 de setembro de 2021

Idosos aprendem a ler e a escrever com o Brasil Alfabetizado

23 de dezembro de 2013 | Governo do Estado de Rondônia

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Mirela lembra que seu primeiro contato com a escola foi quando tinha oito anos de idade. Filha de seringueiro, conta que chegava a passar até cinco anos no seringal com o pai, o que fazia com que ficasse longe da escola. Sempre com determinação para os estudos, hoje Mirela diz que se sente orgulhosa de sua evolução dentro do programa. “A gente começa sem saber nada direito. Eu não sabia ler e nem escrever direito, hoje eu consigo me sair muito bem”, comenta.

A aluna continua trabalhando como lavadeira e diz que às vezes o tempo é curto, mas não é justificativa. “A gente quando quer uma coisa, não tem desculpa. Divide o tempo, separa as coisas, dá um jeito. E eu estou dando um jeito para o meu próprio aprendizado”, garante.

Além da escrita, leitura e operações matemáticas, Mirela aprendeu a pintar como forma de artesanato, e quem ajudou Mirela neste processo, além da alfabetização, foi a professora Anúsia Carvalho, que utilizou o conhecimento de artesanato e aplicou nas aulas. “A gente tem que trabalhar com a realidade de cada aluno. Aproveitei o conhecimento que eu já tinha e quis aliar com as aulas”, explica.

A professora acredita que tem uma troca de experiências muito grande entre os alunos e afirma que tem prazer de trabalhar com eles. “É muito gratificante. Todos os dias que eu vou dar aula aprendo alguma coisa com eles. A bagagem de conhecimento de vida que eles carregam é enorme. Acho que aprendo mais com eles do que eles comigo”, avalia.

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Outro aluno é o pedreiro de 47 anos, Moacir Monteiro. O participante do projeto conta que nasceu no Ceará e desde pequeno começou a trabalhar e não tinha a escola como prioridade. O pedreiro diz que está há dois anos no projeto e já notou uma grande melhora na caligrafia e na matemática, o que ajuda diretamente no seu trabalho. “Eu era ajudante de pedreiro e sabia fazer umas contas aqui outras ali, mas não muito bem. Hoje, o que eu aprendi nas aulas ajuda muito na hora de fazer as medidas de uma construção”, conta.

Além do trabalho, Moacir consegue ajudar nas dúvidas dos netos. “Tenho um neto de 5 anos que um dia veio me perguntar como se escrevia uma letra e eu consegui escrever para ele”, lembra. Sobre o efeito do programa, o aluno é enfático. “Foi uma das melhores coisas que eu já fiz na minha vida. Quero continuar até ficar craque”, completa.

Cícera da Conceição, de 33 anos, é a professora de Moacir e explica que a forma de trabalhar com os adultos é bem diferente de trabalhar com crianças. “Eles já têm um conhecimento específico, além de que apresentam algumas dificuldades físicas, como problemas de visão, cansaço. Nesta faixa etária, querendo ou não, a mente é mais fechada e a gente tem que achar uma forma de trazer o aprendizado para o dia a dia deles”, comenta.

No decorrer do projeto, a professora lembra que vai criando um laço de confiança com os alunos. “Quando acaba o programa, muitos deles não querem deixar a sala. E posso falar por mim também, quando estou com eles, não dá nem vontade de ir pra casa É muito bom ver o trabalho ajudando pessoas com tanto conhecimento como eles”, considera, orgulhosa.

BRASIL ALFABETIZADO

O programa ‘Brasil Alfabetizado’ é uma parceria do Governo de Rondônia com o Ministério da Educação e conta com 627 alfabetizadores e 132 coordenadores, recebendo capacitação, através da Seduc, para participar do projeto. As aulas funcionam em escolas, igrejas, sistemas prisionais e associações em 37 cidades do Estado – com maior concentração na zona rural -, levando aprendizado a cerca de oito mil alunos matriculados neste ano. O projeto recebe jovens a partir de 15 anos, adultos e idosos não alfabetizados e tem duração de oito meses.


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Fonte
Secom - Governo de Rondônia

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