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Segunda, 21 de junho de 2021

CAMPANHA

Idosos pedem doação de árvore e enfeites para Natal mais bonito na Casa do Ancião, em Porto Velho

25 de novembro de 2016 | Governo do Estado de Rondônia

Não é preciso muito para tornar o dia de alguém mais feliz e, se esse dia é o Natal, então, é mais que especial, principalmente para os 33 idosos da Casa do Ancião São Vicente de Paulo, em Porto Velho. Eles querem um Natal mais bonito e, para isso, pedem enfeites e luzes para a casa. José Pedro Bredariol, 68 anos, por exemplo, quer ganhar uma árvore de Natal.

‘‘Quero uma árvore bem grande para ficar bem aqui [no Centro de Confraternização dos idosos], vai ficar bem bonito’’, disse José Pedro com um sorriso no rosto. Ele é mais conhecido como Zé Pedro. Está na Casa do Ancião há cerca de cinco anos. Caminhoneiro por 22 anos, Zé Pedro conheceu boa parte do Brasil e conta o motivo de ter escolhido morar na capital de Rondônia. ‘‘Porto Velho é bonita, olha o rio Madeira, então se você conhecer a nossa realidade também vai gostar’’, garante.

Zé Pedro é descendente de italianos e nasceu em São Paulo. Quanto a seus natais? ‘‘Sempre só, eu e Deus’’, conta, explicando o significado que a data tem para ele: ‘‘é um dia muito bonito porque foi quando nasceu Jesus Cristo. Pra mim a melhor coisa que tem é o Natal’’, afirma.  Há cinco anos, os natais de Zé Pedro não são mais solitários, mas na companhia dos amigos da Casa do Ancião.

‘‘Não posso reclamar de nada aqui. Ás vezes as pessoas podem pensar que estou preso aqui, mas aqui eu tenho com quem conversar, tem amigo que passo duas, três horas conversando e o tempo passa’’, conta Zé Pedro que disse gostar de falar de futebol. ‘‘Mas se perder ou ganhar pra mim tanto faz, não muda nada’’, afirma.

Zé Pedro ao lado do amigo Samuel

Zé Pedro ao lado do amigo Samuel Miguel da Silva

Entre os amigos, ele tem um carinho especial por Samuel Miguel da Silva, 76 anos. O novo amigo chegou a Casa do Ancião há cerca de seis meses. Ativo, ele está sempre prestando apoio no que precisar no novo lar. Samuel é goiano, já teve várias profissões, entre elas foi caminhoneiro, trabalhou na lavoura e garimpo.

Chegou a Rondônia recentemente, há apenas três anos, para ajudar na construção em um sítio, mas devido ter adoecido encontrou apoio na Casa do Ancião. Como pedido de Natal ele quer ganhar uma bíblia e um violão. Conta que sempre gostou muito de violão, ‘‘Mas só sei afinar no facão’’, brinca, já a bíblia: ‘‘É pra ler para mim e para meus amigos. Me dou bem com todos. Nós brincamos, fazemos nossa bagunça’’, explica.

MÚSICA

O cearense Edilson Brasil da Silva, 66 anos, é muito bom em matemática. A escola dele foi à profissão de camelô.  Quando o desemprego o alcançou, não pensou muito e saiu de cidade em cidade oferecendo os produtos. Vendia de tudo um pouco, de meia a relógio e foi assim que chegou a Rondônia em julho de 1986.

Mas do dia para Noite, Edilson viu sua vida mudar. ‘‘Quando acordei já estava desse jeito, só enxergo o vulto das pessoas durante o dia, à noite não enxergo nada’’, conta. A deficiência visual é consequência de uma catarata em estado avançado. Doença que já vinha gradativamente prejudicando a visão, mas até então Edilson ainda conseguia realizar suas atividades sem precisar de ajuda. A perda da visão foi um golpe duro para quem já havia perdido parte de um dos braços quando trabalhava em moinho de cana-de açúcar.

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Edilson quer uma Natal de paz com caixas de som tocando músicas natalinas

Edilson chegou a Casa do Ancião em novembro de 2015 e quer que este Natal seja especial para ele e os amigos. Apesar de não poder enxergar, ele diz que fica feliz em saber que o local será enfeitado, mas tem um pedido especial. ‘‘Eu quero que tenha caixas de som aqui e um pendrive com músicas de Natal, aquela com dingo bell e todas as relacionadas ao nascimento do filho do arquiteto do Universo. Eu gosto muito de músicas natalinas, bem suave, bem lenta’’, destaca Edilson.

E tem mais gente querendo alegrar o Natal com música. Severino de Carvalho, 85 anos, gosta muito das músicas de Cauby Peixoto e tem uma especial – Conceição – que ao cantá-la percebemos facilmente um sorriso em seu rosto. Nasceu em São Paulo e há 46 anos está em Rondônia. Chegou ao Estado devido ao trabalho em uma companhia de petróleo. ‘‘Era para eu ser muito rico, tive muitas oportunidades’’, conta.

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Severino espera ganhar no Natal um CD com músicas de Cauby Peixoto

Aqui chegou solteiro, casou com uma maranhense do qual se separou há alguns anos, teve quatro filhos, dois falecidos. ‘‘Natal pra mim é estar em família, com as crianças correndo pela casa. A gente falava para as crianças que se não fosse bem nos estudos não ia ter Natal’, relembra. Agora ele só quer recordar os bons momentos da vida através das músicas de Cauby Peixoto.

Já teve pedido de árvore de Natal, música e o que Vicente Viera da Silva, 73 anos, quer são enfeites natalinos. ‘‘Peço enfeites de Natal para ficar mais bonito’’, disse. Ele está na Casa do Ancião há mais de dois anos. Nascido no Maranhão, Vicente trabalhou por muitos anos em fazendas. ‘‘Plantava e roçava’’, disse.

Mas aos 19 anos decidiu vim para Rondônia trabalhar no garimpo, mas não deu muito certo, é logo ele voltou a trabalhar com agricultura. Ele relembra a época que em morava com os pais. ‘‘Nós plantávamos e colhíamos muita coisa boa, o melão de lá era cheiroso, tinha de tudo um pouco’’.

O CASAL

Maria Leite Reis, 77 anos e Eloi Jonas Chiaratti, 72 anos estão sempre juntos na Casa do Ancião. Maria disse que quer casar com ele. Eloi nunca foi casado, gosta da vida pacata de sitiante. Em breve voltará a morar no distrito de União Bandeirantes acolhido pela comunidade. Já Maria é amazonense, já foi casada, tem filhos e netos. Um dos filhos mora em Porto Velho, os demais residem em diferentes estados.

Ela é dessas mulheres fortes e procura apreciar o que há de bom ao seu redor. Questionada sobre o que mais gosta de fazer na Casa, ela disse: ‘‘Eu fico olhando para ver se o dia já vem para tomar o café, é tão gostoso, tem pão com manteiga. Depois eu converso com os colegas e aí é aquele ‘kakaka’’’, brinca ela.

Lado a lado, é assim a rotina de Maria e Eloi

Lado a lado, é assim a rotina de Maria Reis e Eloi Chiaratti

Ela encontra em Eloi a companhia para deixar os dias mais alegres, mas teme a separação em breve quando ele deixará a casa. Eloi demostra gostar da convivência com  Maria, mas acredita que ela não se adaptaria a vida tranquila do distrito onde vai morar em breve. Para Maria, o melhor presente de Natal seria o casamento com Eloi, já para ele, o sonho é voltar a morar onde se sente mais feliz. ‘‘Eu estou doido para ir embora’’, disse. Enquanto esse dia não chega, eles desfrutam da amizade um do outro.

COMO AJUDAR?

A campanha para tornar o Natal na Casa do Ancião São Vicente de Paula mais bonito faz parte de uma mobilização de pessoas solidárias a causa e dos próprios profissionais da instituição. As doações serão recebidas até o dia 5 de dezembro, na rua Tenreiro Aranha, 2062, Centro. Para o esclarecimento de dúvidas basta ligar no (69) 3216-5105 ou ainda no (69) 99944-6140 e falar com a assistente social Tânia Nicolau.

A Casa é vinculada à Secretaria de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seas) para abrigar os idosos a partir dos 60 anos que passam por abandono ou maus-tratos. ‘‘A nossa instituição ampara idosos em situação de extrema vulnerabilidade social. Às vezes o idoso vem para cá forçado pela Justiça, tirado do âmbito familiar em razão de maus tratos. Também têm aqueles que chegaram até a Casa devido a nossa investigação com idosos que vivem nas ruas e aqueles que são debilitados fisicamente e psiquicamente’’, disse o diretor Júlio César dos Santos.

Na Casa, os idosos recebem atividades de terapia ocupacional e reabilitação. A fisioterapeuta Regiele Fagundes faz parte da equipe interdisciplinar da instituição há oito meses e reconhece o diferencial da assistência oferecida a eles. ‘‘O que observo é que acabamos nos tornando os familiares deles. Sempre festejamos as datas especiais com eles. E como profissionais estamos sempre promovendo atividades em grupo para promover o convívio social’’, afirma.

VISITAS

O diretor conta que é grande a demanda de idosos para serem inseridos na Casa, mas que a capacidade é para apenas 34, por isso existe um trabalho para que as famílias sejam sensibilizadas a amparar seus idosos e oferecer uma vida familiar com dignidade. ‘‘Há um trabalho feito pela psicologia e assistência social para que eles entendam a importância da reinserção a família, mas são poucos nessa situação. A maioria não tem família. Nós temos o caso de um idoso que está há 15 anos na instituição’’, afirma.

Mas o processo para a volta ao lar passa por vários critérios para garantir que o idoso irá se readaptar a vida em família e em que condições isso será feito. Atualmente, dois idosos então no aguardo de serem liberados para voltar a morar com a família. E para amenizar a saudade que muitos sentem dos familiares, a direção da Casa do Ancião investe na aproximação da comunidade através de visitas voluntárias.

‘‘Nós realizamos palestra com o tema – Envelhecer não nos torna invisíveis – porque queremos que as pessoas que passem aqui pela frente percebam que aqui existem as pessoas ativas, que querem se divertir, querem passear, conversar, e isso tem tido bons resultados, muitas acadêmicos já os visitaram. A maioria dos visitantes está representante alguma instituição e tem feito contribuições’’, afirma. As visitas são acompanhadas por profissionais da Casa e podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h.

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Fonte
Texto: Vanessa Moura
Fotos: Ademilson Knightz
Secom - Governo de Rondônia

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