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Sábado, 19 de junho de 2021

NUTRIÇÃO

Obesidade crescente e segurança alimentar são temas de debate na Conferência Estadual em Porto Velho

14 de agosto de 2015 | Governo do Estado de Rondônia

Secretária da Assistência e do Desenvolvimento Social, Valdenice Domingos, abriu o evento

Secretária da Assistência e do Desenvolvimento Social, Valdenice Domingos, abriu o evento na noite de quarta-feira

A obesidade crescente em Rondônia e no País e a insegurança alimentar na Amazônia estão presentes não apenas nas cidades, mas também nas aldeias indígenas. Esses são os principais temas em pauta na 4ª Conferência Estadual de Segurança Alimentar e  Nutricional aberta na noite dessa quarta-feira (12), no Rondon Palace Hotel, em Porto Velho.

A abertura do evento contou a participação da adjunta da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, Lílian Rahal, que conduziu a palestra magna com o tema: “Comida de verdade: Avanços e obstáculos para a conquista da alimentação adequada e saudável e da soberania alimentar”.

“O objetivo da Conferência é estabelecer um processo de construção participativa da sociedade no estabelecimento de políticas públicas, criando condições efetivas para a formulação da política no plano municipal de segurança alimentar e nutricional, com diretrizes, metas, recursos e instrumentos de avaliação e monitoramento”, assegurou a secretária estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, Valdenice Domingos.

Participantes do evento organizado pela Seas se dispõem a promover o resgate de hábitos e práticas alimentares regionais a custo acessível e com elevado teor nutritivo. Nesse aspecto, o fortalecimento da agricultura familiar permite essa melhoria. O aproveitamento nutricional do babaçu para a fabricação de óleo alternativo envolve, por exemplo, o povo Paîter-Suruí, que recupera suas antigas reservas.

Perdas de produção de sementes e mudas preocupam a população ribeirinha. De sua parte, a Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri) assumiu o compromisso de industrializar a farinha de castanha. Na Fazenda Futuro [do Sistema Prisional], reeducandos atualmente produzem mudas de castanha.

“A Alimentação adequada é direito fundamental do ser humano, ou seja, toda pessoa tem direito a uma alimentação saudável, acessível, de qualidade suficiente e de modo permanente”, destacou Lílian Rahal.

Simone

Simone Guadagnin destacou o crescimento da obesidade e sobrepeso

No ano passado, o Brasil saiu do mapa internacional da fome, conforme decisão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Agora, Seas, Secretaria da Agricultura (Seagri), Agência de Defesa Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron) e outros órgãos governamentais já estão motivados a reverter o “cenário negativo” em termos de hábitos alimentares resistentes a mudanças.

Todos deverão incentivar a  redução de  óleo de cozinha, açúcar e sal, que em grandes quantidades são os grandes vilões a boicotar esforços feitos para melhorar a saúde das pessoas. A partir da conferência, Rondônia apoiará ações dos Conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional que devem ser criados também nos municípios, conforme o Decreto 7.272/2010.

DESAFIOS À SAÚDE

“Hoje, o grande problema na saúde do País é o crescimento do sobrepeso e da obesidade”, opinou a nutricionista Simone Guadagnin, representante do Ministério da Saúde.

“Atualmente, 50% da população adulta do País têm sobrepeso, entretanto, em todas as faixas etárias persistem deficiências nutricionais, causando anemias. Isso resulta de um sistema alimentar hegemônico e não sustentável que privilegia a produção de alimentos ultraprocessados, contra os minimamente processados”, ela informou.

A excessiva venda de biscoitos, refrigerantes, sucos industrializados e salgadinhos, com forte apelo publicitário, ainda entrava o êxito dos programas governamentais que utilizam alimentação saudável, entre os quais, Bolsa Família e Saúde na Escola.

Evento reúne representantes de 33 municípios

Evento reúne representantes de 33 municípios

No contexto da epidemia da obesidade e de doenças crônicas não transmissíveis, destaca-se  o acirramento de estratégias de setores econômicos que mercantilizam cada vez mais a alimentação. “Circulam massivamente, com foco na inocência da criança, muitas informações tendenciosas no mercado. Ao mesmo tempo, a propaganda da venda de alimentos in natura geralmente está distante das casas dos consumidores ”, analisou a nutricionista.

Para Simone Guadaganin, isso aumenta o cuidado com a saúde, impondo importantes desafios para a organização da atenção nutricional.

Em 2014, o Ministério da Saúde editou documento básico para o setor, propondo à agricultura familiar a produção adequada, sem agrotóxicos.  “Buscou-se a conscientização de 39 mil equipes de saúde, 40 mil unidades básicas, 4,2 mil polos do Programa Academia de Saúde e 4 mil núcleos de apoio à saúde da família, incluindo universidades”.

“Só a fiscalização resolve o problema dos agrotóxicos, porque eles estão presentes em Rondônia”, reconheceu a coordenadora do programa estadual da Idaron, Eutália Cunha, justificando que são 8,5 milhões de litros utilizados nas safras, ou seja, usa-se 13 litros por hectare. O café, o cacau, a soja, o milho [27% do consumo nacional] e até a uva consomem esses produtos”, revelou a coordenadora.

Segundo ela, a região conhecida por Cone Sul de Rondônia aumentou em 20% a área cultivada com soja e, consequentemente, a tecnologia utilizada exigiu agrotóxicos e fertilizantes.

 AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS

A secretária-adjunta da Agricultura, Mary Teresinha Braganhol, descreveu ações governamentais em termos de segurança alimentar, destacando o crescimento da agroindústria: mais de 450 no estado. “Podemos ter bons técnicos, bons professores, mas se os alunos não se alimentarem adequadamente, não irão prosperar”.

Mary

Mary lamentou desperdício de alimentos em supermercados

Mary lamentou o desperdício de alimentos em supermercados e propôs o funcionamento de um banco de alimentos em Porto Velho, no qual técnicos e nutricionistas selecionem alimentos e ofereçam às famílias carentes. “Em Ariquemes deu certo”, observou.

Para a secretária, os recursos obtidos do governo Federal evoluíram no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Em 2011, um grupo de 233 agricultores recebeu recursos de R$ 201,6 mil. O dinheiro é liberado por cartão magnético. Em 2013, com 659 agricultores cadastrados para o fornecimento de merenda escolar e creches movimentaram R$ 4 milhões. No ano passado, o número de agricultores subiu para 1.465, estimando-se investimentos de R$ 13 milhões.

“Mas insistiremos na proposta de R$ 20 milhões para 2016, e transmitimos recentemente esse pedido ao ministro [de Desenvolvimento Agrário] Patrus Ananias”, comprometeu-se a secretária.


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Fonte
Texto: Montezuma Cruz e Luana Lopes
Fotos: Esio Mendes e Luana Lopes
Secom - Governo de Rondônia

Categorias
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