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Sábado, 21 de setembro de 2019

GEOLOGIA BRASILEIRA

Quarenta anos de pesquisas identificam riscos naturais em Rondônia

04 de fevereiro de 2015 | Governo do Estado de Rondônia

Há 40 anos na Amazônia Ocidental Brasileira, a Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM) dedica-se agora a novas linhas de atuação. Passou a oferecer sua experiência para análise dos chamados riscos naturais – cheias, acúmulo de sedimentos, assoreamento, gestão territorial, lançamento de esgoto em área urbana, recursos hídricos, entre outros.

Garimpo no rio Madeira

Garimpo no rio Madeira

“Centramos cada vez mais nosso objetivo para essas pesquisas, e os resultados têm sido surpreendentes”, comenta o geólogo Amilcar Adamy.

A CPRM é antiga em Rondônia. Recentemente, completou estudos de atividades mineradoras em regiões com ocorrência de grutas, cavernas e o garimpo de diamantes na região do rio Roosevelt. Suas análises de solo e águas começaram bem antes da instalação do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) em Porto Velho, que também se vale da alta tecnologia para coleta, armazenamento e transmissão de dados.

Criada por decreto-lei em agosto de 1969, a CPRM se tornou legalmente empresa pública em dezembro de 1994, com funções de Serviço Geológico do Brasil. Seus profissionais trabalham em estreita sintonia com a Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia.

Para concluir o livro Geodiversidade do Estado de Rondônia, em 2010, a equipe percorreu dez mil quilômetros durante três anos. A versão digital com o conteúdo do estado do Acre será lançada em março próximo. “Ele pode ser fonte permanente de consulta pelo governo, por empresas públicas, prefeitos e demais estudiosos”, diz Adamy.

Em diversas regiões, geólogos da CPRM constataram potenciais agrícolas, florestais e turísticos existentes desde os tempos do extinto território federal. Vilhena, por exemplo, aproveita o solo enriquecido com ferro. As pedras gigantes da Zona da Mata estão catalogadas e à disposição dos patrimônios histórico e turístico de Rondônia.


Riscos geológicos

Riscos geológicos caracterizam potencial ameaça a pessoas, lembra o geólogo Amilcar Adamy. Rondônia não tem riscos classificados como endógenos – terremotos, vulcões e tsunamis –, entretanto, começa a perceber movimentos exógenos. Estes são resultantes de energias na superfície do planeta – ação dos ventos, deslizamentos, erosão, subsidências (movimento relativamente lento, de afundamento de terrenos), solos colapsíveis (onde é comum o uso de estacas escavadas para pequenas cargas) e expansíveis (aumentam de volume quando umedecidos e se contraem quando ressecam).

Lembra Adamy que já foram notados sismos de pequena amplitude (riscos endógenos) no estado, inclusive na Capital, Porto Velho. Ou seja, pode ser um fenômeno despercebido por aqui, mas a terra treme um pouco em Rondônia.

Próximo à parte central da Placa Sul-Americana, Rondônia está distante das regiões mais afetadas pelo encontro de duas placas. Na Ponta do Abunã (extremo oeste do estado), mais próxima da Cordilheira Andina, ocorre apenas um evento sísmico por ano, na escala 4,2 a 5,8 na Escala Richter. “Ali, o substrato argiloso competente da Formação Solimões (Terciário) pode propiciar a dissipação das ondas eletromagnéticas do sismo”, explica Adamy.

“Na região central do estado, entre os municípios de Ouro Preto do Oeste e Ji-Paraná, ocorrem abalos sísmicos de baixa intensidade (3,2 a 3,6 na Escala Richter), provavelmente originados por esforços compressivos das placas tectônicas. Situações semelhantes devem ocorrer também nos sismos registrados em Alta Floresta d’Oeste e Alto Rio Novo”.

Geólogo Amílcar Adamy

Geólogo Amílcar Adamy

E o que mais interessa no momento: embora não sejam classificados como riscos geológicos, riscos hidrológicos – enchentes e inundações – acarretam expressivas perdas econômicas e materiais e, por vezes, de vidas humanas.

Embora sem mortes, a cheia do Rio Madeira em 2014 causou danos a ribeirinhos, ao comércio popular e ao patrimônio histórico da Capital. Também causou semelhantes prejuízos às cidades localizadas às margens de grandes rios, entre os quais, Mamoré (Guajará-Mirim), Guaporé e Machado (Ji-Paraná), sujeitas a inundações/enchentes periódicas e ao solapamento dos taludes dos canais fluviais.

De acordo com a CPRM, os fenômenos mais comuns em Rondônia são: movimentos de massa (deslizamentos, movimentos de blocos rochosos e corridas); erosão hídrica estabelecida como pluvial (ravinas voçorocas) e fluvial; assoreamento, subsidências (dolinas) e solos colapsíveis.


Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Admilson Knigthz e Arquivo Pessoal Adamy e Montezuma Cruz
Secom - Governo de Rondônia

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