Governo de Rondônia
Quinta, 17 de junho de 2021

Poesia - cultura

Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais

11 de abril de 2014 | Governo do Estado de Rondônia

becos_goias_coraCora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poeta brasileira.

Considerada uma das principais escritoras brasileiras, ela teve seu primeiro livro publicado em junho de 1965 (Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais), quando já tinha quase 76 anos de idade.

Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, em particular dos becos e ruas históricas de Goiás.

Estas mãos’ retratam o pensamento e a leveza rude de Cora Coralina:

Olha para estas mãos de mulher roceira,
esforadas mãos cavouqueiras.

Pesadas, de falanges curtas, sem trato e sem carinho.
Ossudas e grosseiras.

Mãos que jamais calçaram luvas.
Nunca para elas o brilho dos anéis.
Minha pequenina aliança.
Um dia o chamado heróico emocionante: Dei Ouro para o Bem de São Paulo.

Mãos que varreram e cozinharam.
Lavaram e estenderam roupas nos varais.
Pouparam e remendaram.
Mãos domésticas e remendonas.

Íntimas da economia, do arroz e do feijão da sua casa.
Do tacho de cobre.
Da panela de barro.
Da acha de lenha.
Da cinza da fornalha.
Que encestavam o velho barreleiro
e faziam sabão.

Minhas mãos doceiras…
Jamais ociosas.
Fecundas, imensas e ocupadas.
Mãos laboriosas.
Abertas sempre para dar, ajudar, unir e abençoar.

Mãos de semeador afeitas sementeira do trabalho.
Minhas mãos razões procurando a terra.

Semeando sempre.
Jamais para elas os júbilos da colheita.

Mãos tenazes e obtusas, feridas na remoção de pedras e tropeços, quebrando as arestas da vida.
Mãos alavancas na escava de construções inconclusas.

Mãos pequenas e curtas de mulher que nunca encontrou nada na vida.
Caminheira de uma longa estrada.
Sempre a caminhar.
Sozinha a procurar, o ângulo perdido, a pedra rejeitada.


Leia Mais
Todas as Notícias

Fonte
Secom - Governo de Rondônia

Categorias
Rondônia


Compartilhe