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Quarta, 24 de fevereiro de 2021

Direito

Professores indígenas acreditam que Projeto Açaí fortalece a cultura dos povos por meio da educação

16 de abril de 2014 | Governo do Estado de Rondônia

Aulas do Projeto Açaí ocorrem em Ouro Preto D'Oeste

Aulas do Projeto Açaí ocorrem em Ouro Preto D’Oeste

Manter a língua materna e a cultura de seu povo vivas é o principal objetivo dos indígenas de mais de 30 etnias que participam do Projeto Açaí da Secretaria de Estado da Educação (Seduc). O projeto, que forma professores do magistério, está na segunda fase e será encerrado em maio. 

Diori Suruí, 26 anos, é professor emergencial há cerca de dois anos na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Sertanista Francisco Meireles, em Cacoal. Diori ministra aulas de língua materna, a tupi mondé. “Para mim é uma grande experiência participar do [projeto] Açaí, adquirir conhecimento e assim resgatar a história do meu povo”, comenta o professor.

Celsos Caxarari, 26, tem um pouco mais de tempo no magistério. Há sete anos ele é professor na Escola Kuruna Caxarari, localizada na aldeia Paxuba, no distrito de Extrema, em Porto Velho. Celsos conta que há três livros escritos na língua caxarari e que os utiliza em sala de aula. Para ele, o Projeto Açaí enriquece o trabalho em sala de aula, porque está recebendo formação específica.

Diori Surui, Celsos Caxarari, Deivid Puroborá, Jeremias Wajuru e Ronaldo Oro Waran Xijeien são professores e participam do projeto

Diori Surui, Celsos Caxarari, Deivid Puroborá, Jeremias Wajuru e Ronaldo Oro Waran Xijeien são professores e participam do projeto

O gosto dos indígenas pela língua materna de suas etnias é unanimidade. “É a nossa identidade”, afirma Deivid Puruborá. A língua dos puruborá foi documentada recentemente pelo Museu Emílio Goeldi, de Belém (PA). “Espero contribuir com minha comunidade retribuindo tudo o que estou aprendendo aqui”, diz.

Professor na Escola Estadual de Ensino Fundamental Pedro Azzi, na aldeia Olinda, em Guajará-Mirim, Jeremias Wajuru, 32, leciona para turmas do 3º ao 5º ano. Contratado emergencial, ele aguarda, ansioso, pelo concurso para professores indígenas. Jeremias tem no Projeto Açaí a oportunidade de ter uma qualificação para a profissão que escolheu. “Minha realização é ensinar as crianças e jovens”, afirma.

Há três anos em sala de aula, Ronaldo Oro Waran Xijeien, 31, afirma que o Projeto Açaí “é uma boa” para os indígenas. Ronaldo ministra aula da língua materna txapakura para turmas multiseriadas da Escola Estadual de Ensino Fundamental Tenente Lira, na aldeia Lages Novos. “O Projeto Açaí é muito importante tanto para não sermos excluídos quanto para mantermos nossas tradições”, acredita.

As aulas do projeto ocorrem desde a segunda quinzena de março no Centro de Treinamento da Emater, em Ouro Preto D’Oeste. São 140 alunos de 34 etnias de Rondônia, que, após a formatura em maio, serão diplomados professores das séries iniciais de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental.

Na rede estadual há 102 escolas indígenas, com 356 professores que atendem a mais de 3,2 mil alunos.


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Fonte
Texto: Marcela Ximenes
Fotos: Luiza Zamora - Coordenadoria de Educação Indígena
Secom - Governo de Rondônia

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Educação


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