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Sexta, 05 de março de 2021

Rios desperdiçados e gargalos nos acessos portuários

08 de outubro de 2013 | Governo do Estado de Rondônia

Um potencial gigantesco para o escoamento de cargas é desperdiçado no Brasil, aumentando os custos do transporte e dificultando o desenvolvimento da atividade e da economia. Com uma rede hidrográfica de 63 mil km de extensão, sendo 41,6 mil km navegáveis, somente 20,9 mil são utilizados. E na área portuária, os acessos terrestres representam um dos principais gargalos do transporte no país, gerando enormes prejuízos.

“Em alguns lugares, como Santos, seja por rodovia ou por ferrovia, há uma situação de total estrangulamento. Quanto mais aumenta o volume de carga no porto, pior fica a situação”, afirma Glen Gordon Findlay, presidente da seção de Transporte Aquaviário da CNT.

O excesso de burocracia para o desembaraço da carga e a necessidade de aprofundamento dos canais dos acessos aquaviários também são apontados por ele como problemas graves. “O governo vem tentando mexer em algumas coisas, como a implantação do projeto Porto sem Papel, mas estamos atrasados e ainda há muito o que melhorar para reduzir a burocracia. O programa de dragagem também foi positivo para os portos, mas ainda é preciso aumentar os canais para permitir a entrada de navios maiores”, diz Findlay.

Além dos problemas nos portos, o setor hidroviário é pouco lembrado no Brasil, na opinião do presidente da Fetramaz (Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia), Irani Bertolini. “A natureza nos deu esse enorme potencial de rios, mas o poder público não investe em hidrovias. O transporte fluvial é esquecido no Brasil”, avalia Bertolini. As hidrovias correspondem a apenas 1% do transporte de cargas no país.

O presidente da Fetramaz lembra que o rio Madeira poderia ser bem melhor aproveitado se houvesse mais investimentos. “O Madeira é um rio em que se navega. Não pode ser considerado uma hidrovia. Precisaria de um projeto melhor, de fazer derrocagem, dragagem, de sinalização.” Mesmo com todos os problemas, conforme Bertolini, por ano são transportados cerca de 8 a 10 milhões de toneladas de produtos pelo rio Madeira, o que demonstra o enorme potencial fluvial do Brasil.

Segundo o professor Cícero Carvalho, da Universidade Federal de Alagoas, há uma clara subutilização desse potencial. “O sistema hidroviário, considerado o mais limpo e mais barato, é pouco utilizado, com apenas alguns trechos expressivos, a exemplo das hidrovias Tietê-Paraná e Solimões-Amazonas.” Carvalho considera ainda que o transporte pelos portos também não consegue aproveitar da melhor forma as possibilidades oferecidas no Brasil e no Mercosul para o transporte aquaviário. “O Mercosul possui um litoral de mais de 10 mil quilômetros, desde o sul da Argentina ao norte do Brasil.

Fica difícil explicar como, diante de tamanha oportunidade de barateamento dos custos de transporte que esse patrimônio oferece, ainda persista o uso quase exclusivo das rodovias”, avalia.


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Fonte
Secom - Governo de Rondônia

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