Governo de Rondônia
Quinta, 17 de outubro de 2019

BAIXO MADEIRA

Rondônia estuda inserção do conhecimento tradicional de ribeirinhos no ensino público

30 de janeiro de 2015 | Governo do Estado de Rondônia

governador visita escola do ditrito de nazaré (49)

Confúcio: lista de problemas lida no ato

Distrito de Nazaré dispõe do único colégio do mundo construído no meio da floresta

A Escola de Ensino Fundamental e Médio Professor Francisco Desmoret Passos, em funcionamento desde 2013 no distrito de Nazaré, é o primeiro colégio da rede pública estadual a iniciar estudos para contratar por meio de seleção simplificada professores “oficineiros”.

A nova modalidade de contratação pelo Conselho Escolar é prevista no artigo 8º da Lei 3.481 (15/1/2014) e única alternativa para sanar também o problema da falta de professores em várias outras especialidades.

Estudos anunciados quinta-feira (29) pelo governador Confúcio Moura durante a primeira ação itinerante do segundo mandato na região do Baixo Madeira visam dotar a escola de todas as condições para tornar possível também, a partir do ano letivo que se inicia dia 3 de fevereiro, a inclusão do conhecimento tradicional no ensino público. Isso privilegia aulas a partir de relatos de pescadores, agricultores e caçadores, sobretudo a respeito das tradições culturais locais.

Na audiência com pais de alunos e lideranças comunitárias dos distritos de São Carlos e Nazaré, duas das três comunidades mais atingidas pela cheia do rio Madeira em 2014, o professor Roberto Rodrigues de Melo, de 50 anos foi eleito diretor por indicação de representantes da comunidade e da escola. O governador conduziu a escolha.

Diversidade impressionante

“Já vim aqui várias vezes e cumpri 80% dos compromissos firmados com vocês. Agora preciso do apoio de todos para transformar esta escola num modelo para o Brasil e o mundo”, disse. Ainda segundo o governador, o distrito de Nazaré dispõe do único colégio do mundo construído no meio da floresta, aonde a pessoa chega e fica com a impressão de estar num “jardim botânico” tamanha é a diversidade de espécies da flora da Área de Proteção Ambiental que circunda as salas de aula, biblioteca, laboratório, sala de música e uma quadra poliesportiva coberta. “É daqui o grupo musical ‘Minhas Raízes’ que se apresentou na Rio + 20 e divulgou as tradições culturais ribeirinhas num evento internacional”, lembrou Confúcio Moura.

O grupo é liderado pelos professores e músicos Tim Maia e Roberto Melo, respectivamente, vice-diretor e diretor eleito. Após a apresentação no Rio de Janeiro, os integrantes que fabricam os próprios violões e tambores com madeira reciclável gravaram um CD. A faixa de maior sucesso é a música “Caminhos do Rio”, que o governador ouviu antes de retornar a Porto Velho.

Aulas na floresta

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Governador não quer esvaziamento da região ribeirinha

O ambiente na escola é apontado pela Seduc como um dos mais adequados para os professores de Ciências, Botânica e Música lecionarem disciplinas dos cursos de agroecologia e música. Na Área de Proteção Ambiental (APA) que circunda o colégio, o governador propôs a abertura de trilhas para incentivar os 290 alunos matriculados a participar mais das atividades práticas.

A ideia, de acordo ainda com o governador, é também atrair a atenção de estudantes do ensino médio e universitários de outros municípios e estados a conhecer o novo modelo de educação proposto para a região. O objetivo é qualificar alunos do ensino fundamental e médio nas especialidades de agricultura e música, criar alternativas para o desenvolvimento regional e difundir as práticas de musicalidade que ajudarão no processo de fixação do homem na região e formação dos futuros professores da escola.

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Abraçado à menina Amanda Eloísa: “Sonho a realizar”

Confúcio pediu à comunidade, alunos e professores para que o ajudem a transformar o colégio numa referência e vença concursos nacionais e internacionais como um dos primeiros a investir na formação de filhos de ribeirinhos em agroecologia e música.

“Um modelo que ajude a realizar o sonho dessa criança, por exemplo,” disse o governador. E abraçou a menina Amanda Eloísa Barbosa, de seis anos, que acompanhava a mãe Gigliane Cristiano dos Santos.

Participaram ainda das atividades a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli, a coordenadora regional de ensino de Porto Velho, Irani Oliveira Moraes, e a ex-secretária de Educação da Capital, Fátima dos Anjos.

Fátima Gavioli ressaltou o interesse do portal Google em apoiar projetos de desenvolvimento sustentável no mundo todo, e citou o exemplo da parceria com os índios Paíter-Suruí, em Cacoal. Diante do interesse do portal, segundo a secretária, o governo convidará os administradores para conhecerem a escola e seu novo modelo pedagógico.

Passarela

O projeto da passarela em concreto com 180 metros de extensão foi refeito e o governo liberou um aditivo para que seja alargada em 15 metros de cada lado. A obra foi paralisada ano passado por causa da enchente que soterrou parte da construção.

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Passarela: projeto une parte baixa da vila à terra firme

Agora entrou em fase de conclusão, de acordo com o diretor do Departamento Estadual de Obras Públicas (Deosp), engenheiro Mirvaldo Moraes de Souza.

A obra interligará, definitivamente, a parte baixa da Vila onde moram cerca de 320 famílias à área de terra firme onde foi construída a escola. Dará também maior acesso aos atingidos pela cheia que serão transferidos para a nova área de assentamento adquirida pelo governo e que depende apenas de obras de terraplenagem para doação à prefeitura de Porto Velho, responsável pela demarcação e entrega dos lotes urbanos às famílias dos atingidos.

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Professor Roberto de Melo aceitou a nova missão

A previsão é de que os serviços de infraestrutura sejam concluídos entre fevereiro e março.   Representantes das comissões dos atingidos pela enchente e os administradores Ednaldo Medeiros (São Carlos) e Pedro Bastos da Silva (Nazaré) acompanharam a audiência que durou cerca de  duas horas.

Durante os despachos, o governador tranquilizou os moradores quantos às notícias sobre riscos de nova enchente.

Lembrou que, tanto a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil Estadual quanto a municipal estão atentas e monitoram diariamente o nível dos rios da região, retirando inclusive moradores que retornaram para as áreas de risco na Capital.


Fonte
Texto: Abdoral Cardoso
Fotos: Esio Mendes
Secom - Governo de Rondônia

Categorias
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