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Domingo, 17 de fevereiro de 2019

SAÚDE PÚBLICA

Secretaria de Saúde alerta população e estimula servidores para diagnosticar hepatites virais, aids e sífilis em Rondônia

18 de julho de 2016 | Governo do Estado de Rondônia

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Funcionários do Hospital de Base participam da abertura da programação do Julho Amarelo, de prevenção a hepatites virais

 

Durante a campanha de prevenção do Julho amarelo, a Secretaria Estadual de Saúde Sesau), a Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) e o Núcleo Estadual de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Hepatites Virais incentivarão servidores do setor para detectar sintomas da doença. O Dia Mundial de Luta contra Hepatites é 28 deste mês.

Eu me previno, eu me testo, eu me conheço é o lema da campanha. Na internet: #partiuteste

“Não podemos pensar apenas no paciente, mas, principalmente, nos funcionários, porque temos um grande número deles adoecidos. Vamos reativar uma enfermaria no HB [Hospital de Base] para atendê-los permanentemente”, anunciou a diretora-adjunta do hospital, Joelma Sampaio do Nascimento.

O tratamento das hepatites virais [infecções que atacam o fígado] é um direito de todo cidadão assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Sesau pretende assegurar qualidade de vida no trabalho de suas equipes hospitalares, de unidades básicas e postos.

Os testes rápidos das hepatites B e C são gratuitos, confiáveis, com resultado em até 30 minutos, e estão disponíveis nas unidades básicas de saúde. Existe vacina contra a hepatite B [zero a 49 anos de idade].

Pessoas que fizeram sexo sem preservativo, compartilharam agulhas, seringas, escova de dentes, alicates de unhas, lâminas de barbear ou de depilar, submeteram-se a tatuagens, colocaram piercing ou receberam transfusão de sangue antes de 1993 devem procurar imediatamente uma unidade de saúde. É que anteriormente a essa década não havia teste para garantir que o sangue transfundido estava livre do vírus.

A hepatite B é uma infecção sexualmente transmissível. Também pode ser transmitida por sangue e por materiais perfurocorantes contaminados. Joelma Nascimento exemplificou o perigo de contaminação, mencionando uma situação ocorrida no manuseio de um lençol e nos cuidados do fisioterapeuta com a perna de uma paciente internada. “A pessoa feriu-se com instrumento perfurocortante e contraiu a doença”, disse.

O médico Natanael da Costa Arruda, chefe do Núcleo Estadual de DST/Aids e Hepatites Virais alertou em palestra servidores do HB a respeito dos tipos de hepatite e a disseminação da sífilis [que tem cura se for imediatamente tratada]. “Precisamos chacoalhar pessoas para receber atendimento, e nisso temos que envolver famílias, servidores e até o Ministério Público se preciso for”, observou.

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Natanael Arruda, chefe do Núcleo Estadual de DST/Aids e Hepatites Virais

Fulminante

Natanael explicou hepatites, genótipos [conjunto formado pelos genes de um indivíduo que não são modificados naturalmente] e manifestações clínicas.  Alertou para a hepatite fulminante, que em 60% dos casos leva a pessoa à sonolência, coma e a óbito.

Lembrou que 500 mil pessoas morrem de hepatite a cada ano, no mundo, “muito mais que por HIV”, enquanto 400 milhões de pessoas tiveram ou estão em contato com a hepatite B.

“A hepatite A tem média de cinco casos a cada cem mil habitantes. Em Rondônia, 82% dos casos concentram-se em 15 municípios, abrangendo a faixa acima dos 35 anos. Porto Velho está à frente, com a metade desse percentual”, informou.

“E a hepatite Delta, que só ocorre em Rondônia e no Acre, mas já exporta casos, também preocupa”, comentou Natanael.

Parceria entre a Fundação Oswaldo Cruz Rondônia (Fiocruz-RO), Programa de Pós-Graduação em Biologia Experimental da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e Laboratório de Virologia Molecular do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical (Cepem) permitiu a conclusão de 50% das investigações.

A equipe coletou 100 amostras de pessoas com hepatite D, 30 amostras de doadores de sangue, cinco amostras de hepatite C e cinco amostras negativas do tipo B.

O médico mencionou o trabalho da coordenadora do Projeto Padronização e Implantação de Diagnósticos Moleculares para Identificação de Quantificação do vírus da Hepatite Delta (D), bióloga Alcione de Oliveira Santos, que usou o método PCR [reação em cadeia da polimerase, que amplifica o DNA in vitro] em tempo real.

Aids

Natanael mostrou estatísticas revelando que 0,4% da população mundial acima de 15 anos é infectado pelo HIV positivo [sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana, causador da aids]. Lamentou a rejeição a tratamento e ao uso de preservativos, e o descuido ainda muito comum com o uso compartilhado de seringas, escovas de dentes, toalhas, alicates de unha e equipamentos de beleza.

Quanto à forma de transmissão entre os maiores de 13 anos de idade, prevalece a sexual. Nas mulheres, 86,8% dos casos registrados em 2012 decorreram de relações heterossexuais com pessoas infectadas pelo HIV. Entre os homens, 43,5% dos casos se deram por relações heterossexuais, 24,5% por relações homossexuais e 7,7% por bissexuais. O restante ocorreu por transmissão sanguínea e vertical [infecção ou doença a partir da mãe para o seu feto no útero ou recém-nascido durante o parto].

“Se antes pensávamos apenas no usuário, hoje podemos também pensar mais no coletivo e assim resgatar pacientes com elevada carga viral”, opinou.

Desde o início da epidemia, em 1980, até junho de 2012, o Brasil tem 656,7 mil casos de aids [condição em que a doença já se manifestou], aponta boletim epidemiológico do DST/Aids. Em 2011, foram notificados 38,7 mil, com taxa de incidência de 20,2 por 100 mil habitantes.

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Diretora-adjunta do HB, Joelma Nascimento, anuncia apoio a servidores doentes

Na região Norte, à qual pertence Rondônia, elevou-se de 14,3 para 17,5 mil. Ainda há mais casos entre os homens do que entre as mulheres, mas essa diferença vem diminuindo ao longo dos anos.

Em 1989, a razão de sexos era de seis casos de aids no sexo masculino para cada um caso no sexo feminino. Em 2011, o mais recente dado disponível, chegou a 1,7 em homens para cada um em mulheres.

A faixa etária em que a aids é mais incidente, em ambos os sexos, é a de 25 a 49 anos de idade. Chama atenção a análise da razão de sexos em jovens de 13 a 19 anos. Essa é a única faixa etária em que o número de casos de aids é maior entre as mulheres.

CALENDÁRIO DO JULHO AMARELO

►A coordenadora do Núcleo de Educação Permanente do Hospital de Base Ary Pinheiro, Patrícia Caldeira Costa, informou que nesta segunda (18) e terça-feira (19), servidores serão sensibilizados a participar, e na quarta-feira (20) poderão se submeter ao teste rápido.

► Na quinta-feira (21) haverá ação educativa com apresentação do fluxograma de atendimento com acidentes perfurocortantes e segregação correta de resíduos.

► Na sexta-feira (22) haverá teste rápido.

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Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Daiane Mendonça
Secom - Governo de Rondônia

Categorias
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