Governo de Rondônia
Domingo, 17 de novembro de 2019

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Soltura de filhotes de tartarugas, um “aulão” ecológico no Rio Guaporé

01 de janeiro de 2015 | Governo do Estado de Rondônia

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Bebê tem o primeiro contato com a natureza no dia em que o rio é povoado por filhotes de tartarugas

A devolução à natureza de mais um lote de cem mil filhotes de tartarugas da Amazônia, domingo (28), no vilarejo boliviano Versalles, margem esquerda do Rio Guaporé, na fronteira brasileira com a Bolívia, transformou-se num “aulão” de educação ambiental e consciência ecológica para crianças e adultos.

Eram 9 h, quando os últimos dos 2,2 milhões de filhotes salvos da cheia do Rio Guaporé, ainda nos ninhos da praia da Tartaruguinha, dia 9 de dezembro de 2014, começaram a ser transportados das voadeiras para uma rampa de areia de onde mais tarde foram soltos e correrem em direção à água.

No barranco próximo à rampa já os aguardavam mais de dez crianças bem penteadas e vestidas ansiosas por manusearem e posarem para fotografias com exemplares das tartaruguinhas, ora para os aparelhos celulares dos pais, ora para as câmeras fotográficas semiprofissionais dos familiares.

Pareciam aprender ali a dura lição de que se nada mais for feito para ajudar entidades como a Associação Comunitária Quilombola e Ecológica Vale do Guaporé (Ecovale) elas poderão chegar à idade adulta com o registro de um quelônio apenas na memória. Filhos das 35 famílias que moram no vilarejo, as crianças permaneceram três  horas na rampa de soltura dos filhotes numa brincadeira de adultos para ajudar a proteger as tartaruguinhas do sol e reidratar.

A professora Lola Salvatierra coordena o projeto na localidade e se emocionou ao discursar antes da soltura. Disse da necessidade de os dois países darem maior atenção aos projetos e programas de preservação dos ecossistemas da Amazônia.

Apontou como uma das prioridades o projeto de manejo de quelônios, pois são espécies que não têm nacionalidade. “É dever de brasileiros e bolivianos protegê-los, pois são indispensáveis ao equilíbrio da cadeia alimentar e sobrevivência também das aves, répteis e peixes que habitam o chamado Santuário Ecológico Vale do Guaporé”, disse.

Segundo o presidente Ecovale, José Soares Neto, “Zeca Lula”, a praia da Tartaruguinha foi a única das oito onde eram monitoradas 38 mil covas de ovos de tartaruga na qual se alcançou algum êxito em 2014. A cheia atípica dos rios nessa época do ano inundou as praias e destruiu filhotes que haviam nascido, mas ainda estavam dentro dos ninhos.

O ambientalista conta que equipes da entidade formadas por brasileiros e bolivianos, e voluntários, inclusive empregados de fazendas liberados pelos proprietários para ajudar, promoveram um mutirão e conseguiram salvar 5 mil recém-nascidos numa das praias onde a expectativa de resgate era de 12 mil tartaruguinhas.

Fazendeiro “empresta” empregados

Paulo Carvalho foi o primeiro fazendeiro da região de São Francisco do Guaporé a dispensar os empregados da Estância Benagouro para participar do mutirão. Ele apoia o projeto desde o início. “Liberei os empregados pelos simples prazer de ajudar a salvar as ‘bichinhas’ que pertencem tanto aos brasileiros quanto aos bolivianos”, afirmou.

Após o resgate, as tartaruguinhas passam entre 30 e 40 dias em incubação nos tanques da (Ecovale). Na incubadora, os filhotes se fortalecem para fugir de predadores que dependem da mesma cadeia alimentar para sobrevivência, entre eles o jacaré, garça, gaivota, mergulhão, tuiuiú, piranha, tambaqui, pirapitinga, pirarara, surubim, traíra e outras espécies que se alimentam dos filhotes de tartarugas e tracajás.

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Com Zeca Lula (e), Lola Salvatierra pede que os dois países apoiem a conservação da Amazônia

O único estranho nessa cadeia é o urubu, atraído para as praias da região pelas cabeças e carcaças de filhotes, pirararas e surubins que os pescadores abandonam a céu aberto após a prática da pesca predatória.

Rio de mão dupla

Os nativos da região dependem do rio para tudo. Desde a alimentação até viagens curtas e mais longas a cidades como Madalena (Bolívia) ou aos municípios brasileiros de Costa Marques e São Francisco do Guaporé, em Rondônia.

A outra opção é pagar R$ 500,00 pelo frete de um avião monomotor para viagens entre Madalena e Versalles. Foi quanto pagou no domingo o prefeito (alcaide) Jaimen Alvarez, do município boliviano de Madalena para participar do evento.

“É muito importante o acordo de cooperação assinado pelo Parque Departamental (Pedeame) do Departamento (Estado) do Beni com o governo brasileiro para manutenção do projeto”, ele enfatizou. “A preservação da Amazônia e suas espécies é uma preocupação de todos os países do mundo”.

O acordo permite que estudantes de duas faculdades do Departamento do Beni façam trabalhos de pesquisa na região. Autoriza a atuação de guardas-parque, agentes comunitários e ajuda no policiamento de fronteira para combate à captura e contrabando de animais ameaçados de extinção.

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Ato de amor na fronteira boliviana com o Brasil: crianças e adultos reidratam tartaruguinhas

Segundo o diretor do Pedeame, Roberto Chaves, há previsão do governo do Beni dar mais apoio ao município de Madalena para o projeto dos quelônios.

Leia na próxima segunda-feira, a 2ª parte desta reportagem


Fonte
Texto: Abdoral Cardoso
Fotos: Rosinaldo Machado e José Soares Neto
Secom - Governo de Rondônia

Categorias
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